quinta-feira, 7 de junho de 2012

Beijo.

Estávamos andando calmamente na rua, completamente distraídos. Pelo menos eu estava. Enquanto me concentrava em meus pequenos passos e inibida de qualquer pensamento, sou pega de surpresa. Ele me puxa, sem fazer força alguma. Como se eu fosse tão leve, que o vento poderia me derrubar sem muito esforço. Minha cabeça rodou por um momento, sem entender o que acontecia. E de repente me deparo com seu rosto, colado ao meu.
Ele penetrou seus olhos castanhos nos meus. Estava me hipnotizando com uma doçura inacreditável. Eu não sabia se o contemplava ou me concentrava na situação. Aquela estranha perfeição colocou as mãos em meu rosto, enquanto fitava meus lábios. Seus olhos mudaram de expressão. Ele estava desejando. Desejando meu beijo. Mas... Por que o meu? Não quis saber. Aquela era uma das oportunidades que sempre esperei.
Segurei delicadamente seu pescoço, enquanto ele deslizava suas mãos até minha cintura. Meu coração disparou, e pude sentir o dele fazendo o mesmo. Suas mãos me aproximaram de seu corpo, quente. Então seus lábios, sem medo, encostaram nos meus. A partir daí um instinto selvagem dominou nosso ser. Eu simplesmente continuei a beijá-lo, e ele, com mais intensidade.
Naquele tumulto na rua, com pessoas passando, conversando. Um completo caos. Por uns minutos tudo se calou. Tudo que importava naquele momento, eram as batidas de nossos corações. Era um beijo doce e intenso ao mesmo tempo. Uma explosão de sentidos e sentimentos. E foi assim que percebi que não poderia mais continuar com ele.
Era um erro. Um erro bom.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

» Chega né?

Percebi que estou sendo patética. Patética por achar que meu mundo não gira sem você. Que só poderia ser feliz se estivéssemos juntos. E agora realmente posso ver que eu estou sozinha. Sozinha pois você não me pertence mais, e eu não pertenço mais ao seu mundo. Estou longe, e agora, cadê aquele carinho todo? Aqueles ''eu te amo'' calorosos? Aonde está toda aquela amizade que costumávamos ter?
O mundo não é perfeito. Deveríamos nos tocar. Cair na real, porque você não é perfeito.
Eu estaria me enganando se acreditasse nisso. Por isso nunca acreditei. Somos humanos e cometemos erros. Eu sempre digo que não podemos nos prender as pessoas, que deveríamos deixá-las livres, porém não podemos nos prender à lugares também. E agora eu percebo que estava iludida e que isso me impedia de seguir o que era realmente certo.
Se eu vim parar nesse lugar teve um motivo.
Eu não aproveitei quando estava aí, e agora que não estou mais, não posso mais aproveitar. Não posso lamentar nem ficar triste. Por que do que adianta? Vou lamentar sozinha. Agora que saí, não posso mais voltar. Não devo. Por um lado seria perfeito, e por outro, um erro. Não pertenço mais a esse lugar. A sua vida mudou, se acostumou com a minha falta. Então eu seria só mais uma, correndo atrás.
Então eu peço desculpa por todo mal que já causei.
E aos poucos vou me afastando, criando uma barreira além da distância. Pois quanto mais me aproximo, mais me machuco.
Então, até uma próxima vida.
Você pode achar que estou exagerando a situação, que na verdade não é preciso me distanciar. Mas quem está enganado agora não sou eu. A vida não é tão simples quanto pensa. E quanto mais me preocupo com meu passado, nossas lembranças e sua falta, menos eu vivo.
E eu preciso viver. Aqui, em meu outro mundo.

Percebi que estava vivendo a vida em outra perspectiva, da sua perspectiva.