Estive de recesso por um tempo, longe de tudo que conhecia, dos meus costumes e da minha própria vida. Digamos que tenha sido um teste de quanto tempo aguento ficar isolada e presa, iludida pelos meus pensamentos além de equivocada. Foi exatamente isso que eu senti. Não sabia como lidar com tantos problemas e situações acontecendo ao mesmo tempo, estava sobrecarregada. Ao longo dessa viajem aprendi algumas lições importantes para minha sobrevivência nesse mundo infernal cheio de idiotas. Pois como sempre digo: ''Choramos ao nascer, porque chegamos a este imenso cenário de dementes.'' (William Shakespeare). Uma de minhas frases favoritas, por que será? — não vivo sem ironia e contradições — Basta conviver comigo para saber. Bom, como eu estava dizendo, me desconectei de todos que amo para uma férias que de partida achei maravilhosa, porém nem tudo são mar de rosas. Muitas coisas aconteceram ao mesmo e pouco tempo.
A vida segue um ciclo: nascimento, crescimento, envelhecimento e morte, só que há certos fatores que impedem esse ciclo, uma delas são doenças. Passei a semana de Natal na casa de meu querido avô, convivi com o sofrimento verdadeiro e não aquele que é de boca pra fora, vi e senti o que é a morte, eu vivi aquilo. Quando ele partiu eu simplesmente fechei os olhos e não pude acreditar, eu não conseguia. Até aí nenhuma lágrima havia caído de meus olhos, eu olhava mas não enxergava. A casa estava um caos, familiares desolados e perdidos, desespero e choro por toda parte, simplesmente não tinha lugar algum para respirar. Me concentrei naquele corpo imóvel, sem respiração ou batimentos, sem pensamentos ou atitudes. Como pode ser possível? Ver uma das pessoas mais importantes da sua vida sem vida é a pior experiência que já vivi, justamente porque não pude fazer nada para reverter, pois não havia meios disso. Foi então que me toquei que ele realmente se foi e de repente algo havia de errado em meus olhos, como se tivessem embaçados com alguma substância transparente e aquosa. Sim, eram lágrimas. Lágrimas de um coração partido, uma alma sem orientações. Posso não ter convivido com aquela pessoa maravilhosa como gostaria, porém ele era o sangue do meu sangue, o pai de quem me aturou por nove meses em seu corpo, ele era meu avô, e eu o amava. Eu senti um vazio em mim que não conseguia explicar, não era um vazio qualquer, era um pedaço que tiraram de mim, de meu peito.
Minha lição: nunca diga que está sofrendo quando não conhece o verdadeiro sentido do sentimento. Certas coisas na vida só aprendem com a experiência.
Quando decidi ficar longe, pensei no melhor para meu estado no momento, precisava de um tempo para pensar e tentar esclarecer tudo em minha mente, esperava ''hibernar'' e deixar passar a poeira devastadora, para quando acordar, tudo já estivesse acabado. E como sempre me enganei. Nunca me senti tão mal em toda minha vida, ela estava virando um caos, e apesar de tudo isso eu agradeço por minha escolha, porque senão tivesse escolhido, eu não saberia como lidar com todos os sentimentos existente. Nesse meio tempo tive a oportunidade de me concentrar e aprender a senti-los.
Quando estava me acostumando com a ideia, me acalmando com a situação, veio a bomba que destruiu-me. E pensei: ''Como poderei lidar com essa mudança radical? Simplesmente entrarei em depressão''. E por muitos dias me senti depressiva, sem saber o que fazer e imune a qualquer tipo de emoção. Eu estava prestes a enlouquecer naquele lugar, eu precisava voltar e ver as pessoas que amo, a cidade em que cresci e mesmo que doloroso, eu precisava me despedir. Sim, vou me mudar mas não irei abandonar ninguém, começarei uma vida nova, mas ainda tenho muito o que viver, por isso não vou me abalar, por isso que não vou sofrer, vou acreditar e lutar além de viver ao máximo — viva no presente, lembre-se do passado e não tema pelo futuro, pois ele não existe e nunca existirá. Só existe o agora. —, fazer coisas que sempre quis, vou rir como jamais rir, viver como jamais vivi, e vou guardar meu amor para que permaneça quente, vou deixá-lo florescer para quando reencontrar com aquele que me mostrou o que é amar, vou reabrir meu coração, já fortalecido e curado, porém ainda com cicatrizes que só serão tiradas quando finalmente ''voltar para casa'' e com ele estar.
Depois de uma crise de nostalgia, agora eu paro; respiro fundo e finalmente: continuo. O ano de 2010 começou e haverá muitas emoções, decepções além de alegrias. Conhecimento e amizade, histórias e experiências. E eu não perco por esperar, pois só vivendo para saber o que é isso.
Viva a Vida.